Crítica: O Farol | Um filme estranhamente deslumbrante, tenso e que transborda originalidade e intensidade

Antes que você leia essa pequena crítica/resenha, é de absoluta certeza de que O Farol se torne um clássico cult. Fazendo com que o gênero de terror se renove e pare de se sufocar em filmes genéricos que transmitem histórias fúteis, desenrolar de histórias arrastadas, personagens burros, ruins e com atuações dignas de muitos memes.

Todos nós já sabemos que Willem Defoe  tem cara de maluco, possuindo um olhar amedrontador com talento de sobra em suas atuações. Hoje sabemos também que Robert Pattinson tem brilhado muito mais após seu “start” cinematográfico em Crepúsculo(literalmente), ele vem dando “tapa na cara” de muitos críticos. Ele faz seu corpo e trejeitos entregarem boas performances de que é muito mais que um rostinho agraciado pelas jovens de todo o mundo.

Em O Farol temos duas atuações brilhantes, somadas à uma direção magnífica por Robert Eggers,  que após (A Bruxa – 2017), nos trouxe uma obra recheada de criatividade e brutalidade com muito mais requinte em diversos aspectos.

O obscuro que passamos a enxergar em todo o drama vivido pelos personagens faz com que cada detalhe seja minuciosamente um pequeno achado, passando a ser visto e descrito, pego e dolorosamente sentido. O formato visual 1: 19; 1 nos emerge em uma tensa vida insalubre de um lugar nada aconchegante. Talvez o som da natureza e do mar pudesse ser de longe uma amizade aos trabalhadores, mas sem ter ideia de que um pequeno deslumbre pode encarnar e os enfeitiçar. Tendo uma queda brusca de personalidade à quem já esconde algo.

Existem várias temáticas reais em linhas ocultas, que mesmo em formas subliminares à primeira vista, traz temas como sexo, intimidade no convívio diário, trabalho, os perigos do isolamento pessoal e principalmente  relacionamento no trabalho. É brilhante como o “todo” desses temas escondidos tenham um ar intimista e fugaz, um retrato áudio visual claustrofóbico, poético e com diálogos extraordinários de ambos, fomentando tudo vivido ali e a transformando numa bomba em tic tac.

O farol é um filme fora do comum, edição visual linda que mostra até o semblante psicologicamente intrigante dos personagens, acompanhado de um extraordinário trabalho de mixagem, focada nos mínimos detalhes de diálogos abafados, de sons íntimos, entrelaçando e não deixando escapar o suave vento entre as folhas mortas que cercam o longo mar e aterrorizante farol.

Trata-se de uma obra impar, elenco, direção e equipe muito bem casada. O longa é extraordinário para cinéfilos, bom para amantes do gênero terror e chato para a minoria (infelizmente).

Lennon Rezende

Lennon Rezende

Músico, cinéfilo e viciado em vídeo games!

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