Crítica: Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips | Um dos Melhores Encerramentos de Universo dos Últimos Anos.

O final do universo compartilhado de animações da DC finalmente chegou nas plataformas digitas, e nos brinda com um dos melhores finais de Universos compartilhados dos últimos anos....

O Universo DC nos cinemas passa por problemas quase que diariamente, e todo o fã espera que estes percalços passem logo. Mas este não é o único Universo da editora fora dos quadrinhos, existem também as séries interligadas, nomeadas de: Arrowverse, que apesar de terem um orçamento baixíssimo e tramas questionáveis, ainda consegue conectar as séries de modo invejável, que nem mesmo a Marvel conseguiu (vide: Os Defensores)

Mas se tem um Universo que os fãs gostam de se orgulhar, mesmo com algumas decisões controversas dos estúdios, são as animações. Iniciada em 2013 com: Liga da Justiça: Ponto de Ignição, que deu um “Start” em uma série de obras que adaptavam os arcos do controverso reboot da editora nos quadrinhos: Novos 52!. Cujo iniciativa mudou a personalidade de alguns personagens, em detrimento de torna-los mais atualizados para o público mais jovem, consequentemente, sofreu constantes críticas por parte dos fãs, em grande parte dos seus títulos.

O mesmo não aconteceu com as animações, apesar de algumas não agradarem tanto, e haver uma incansável busca por adaptar arcos do Batman em uma quantidade massiva, ainda era um universo bem consolidado, com aventuras que faziam os fãs ficarem sem fôlego. Mas como tudo que é bom dura pouco, este Universo chega ao fim agora em 2020 com: Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips, que entrega um dos melhores finais de universo compartilhado dos últimos anos.

Dirigido por Matt Peters (Orange Is The New Black) e Christina Sotta (Justiça Jovem), a animação lida com uma Terra dizimada após uma invasão do imperador de Apokolips: Darkseid, que derrota toda a Liga da Justiça após uma tentativa de ataque mal sucedido dos maiores heróis da DC. Agora, os sobreviventes restantes da Liga da Justiça, Liga da Justiça Sombria, Jovens Titãs, Esquadrão Suicida e outros heróis e vilões precisam se unir, montar uma estratégia e levar a guerra até Darkseid, em um levante final para salvar o planeta e seus habitantes.

Antes de mais nada, é imprescindível que você tenha assistido as outras animações da DC para entender muitas tramas e referências presentes nesta animação.

A direção da animação consegue criar uma atmosfera completamente distópica, mas sem perder a essência dos personagens que foram reformuladas nas últimas obras, com cenas de lutas épicas e viscerais (literalmente!), a animação consegue passar a sensação de urgência e desespero, com uma maestria sem igual.

O roteiro também se encarrega de boa parte da interação entre os personagens dentro de um espaço tão diferente do que os fãs estão acostumados, trabalhando com eles com um cuidado que é refletido através de diálogos e atitudes, que personifica os heróis que sempre quisemos ver nos cinemas, mas que foram completamente descaracterizados (principalmente um certo homem de aço). E ainda consegue deixar um gancho fenomenal para a nova linha de animações da DC, que começa com: Superman: Man of Tomorrow, que chega ainda este ano nas plataformas digitais.

Um ponto a ser discutido, é justamente este sentimento de urgência de trabalhar tantos personagens dentro de um espaço tão curto de tempo, aonde mesmo com uma limitação considerável, consegue deixar espaço para cada um brilhar e mostrar para o que veio, mas que ainda pode causar certo desconforto. Com uma certa grata surpresa: John Constantine, um dos personagens mais maltratados pela editora nos últimos anos, parece que finalmente encontrou o seu ponto de equilíbrio ao dividir espaço de tela com super-heróis, e ainda manter sua personalidade de vigarista filho da mãe, que lhe rendeu tanto carinho por parte dos fãs.

Liga da Justiça: Guerra de Apokolips, é um dos melhores encerramentos de universos compartilhado dos últimos anos, com referências constante ao próprio universo, respeitando a história dos personagens estabelecidas a mais de 80 anos em alguns casos, transpassando a sensação de épico e coerência (dentro da ideia proposta) que faltou em alguns encerramentos por ai.




Amante de filmes e quadrinhos desde que me conheço por gente, existindo numa vida dirigida pelo Stanley Kubrick e roteirizada pelo Grant Morrison.

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