Written by 19:42 7ª Temporada de American Horror Story, American Horror Story, Crítica, FX, Séries, Séries | Criticas

American Horror Story: Cult Crítica | Um dos piores anos da série?

Desde o anúncio de que a temporada de American Horror Story trataria sobre o cenário politico atual nos Estados Unidos muito se especulou sobre qual assunto especifico que a serie traria dentro deste momento conturbado e também se conseguiria alcançar a ótima temporada Roanoke. Sem mais delongas, ela alcança? Definitivamente não. Cult não só se mostra inferior a temporada anterior da série, como também um dos piores anos da antologia de horror de Ryan Murphy. Essa falta de qualidade, vem em grande parte pela inconstância da história que insiste em reviravoltas forçadas que deixam seus personagens mais inconsistentes do que a própria trama.

Porém, Cult não já começa ruim. Inclusive, seus primeiros episódios são bons. Com terror psicológico crescente e uma grande imersão na cabeça de sua protagonista Ally (Sarah Paulson) eles até se mostram promissores. Primeiramente, até o caricato personagem de Evan Peters, Kai Anderson se mostra um divertido exagero de um jovem reacionário com um plano mirabolante. Mas conforme se passam os episódios, o drama de Ally se torna cansativo, assim como a personalidade de Kai que se mostra cada vez mais irritante. É aí que a temporada tenta alcançar algo novo, começa a mostrar fragmentos do verdadeiro objetivo de Kai e a montar a história preparada nos primeiros episódios (tome por exemplo este momento como quando na 6ª temporada a história ultrapassa a serie documental e toma forma fora dela), mas é aí também que começam os problemas.

A partir do quinto episódio, as coisas começam a ficar claras. Personagens começam a escolher lados, Kai começa a executar o plano, Ally é deixada em segundo plano para explicar e deixar coerente o plano do “grande vilão”. Embora, muitos personagens ainda sem utilidade na trama estejam nestes episódios apenas cumprindo o papel de personagens bem idiotas e sem motivação que Kai pode manipular, há outros personagens fortes que entram devagar no jogo do manipulador, sempre deixando um pé atrás por precaução. E essa parte de “estabilização” da história poderia ser muito boa, se utilizada ao final da temporada. Porque em seus últimos episódios, Cult joga praticamente toda sua trajetória no lixo para incluir uma conspiração ainda maior vinda do passado pela cabeça de uma mulher revoltada com o patriarcado que até convence em sua apresentação, mas se mostra superficial quando é usada como uma motivação para o misógino Kai. E não acaba por aí, a personalidade da maioria dos personagens vai sendo renovada a cada reviravolta deixando eles totalmente superficiais e fazendo-os não despertar nenhuma empatia no espectador. E mesmo com todo episódio tendo que cumprir uma cota de cenas impactantes e gráficas, o final é o mais desanimador possível,sem nenhum ápice tenso que realmente surpreenda.

Bomba atrás de bomba. Talvez essa frase defina a 7ª temporada de American Horror Story, em que a cada episódio tenta aumentar a tensão e chegar a um ponto alto que impacte o espectador. Mas como dito em 1984, uma guerra constante é o mesmo que uma paz constante, portanto com tantas bombas, a série não consegue nada mais do que alguns momentos tensos e perturbadores e uma trama que não sabe para onde ir. O que fica é apenas a crítica social, que no fim até se perde em tantas reviravoltas também

Close