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Ray Fisher acusa Joss Whedon e executivos da Warner Bros de racismo

Em uma entrevista para a Forbes, Ray Fisher acusou o diretor Joss Whedon de ter alterado a pele de um ator negro na pós-produção e de ter diminuído a participação de personagens negros em Liga da Justiça. O intérprete de Cyborg contou ainda que Toby Emmerich e outros altos executivos da Warner Bros. participaram de conversas racistas em torno do filme.

Fisher, que interpretou Cyborg no filme de 2017, vem alegando desde o final de junho deste ano que houve comportamento indevido durante as refilmagens de Liga da Justiça, retirando os elogios que fez a Joss Whedon durante a San Diego Comic Con daquele ano. Desde então, o ator estendeu às críticas também aos executivos do estúdio.

Agora, em conversa com a Forbes, Fisher entra em mais detalhes sobre os supostos maus-tratos.

O que deixou minha alma em chamas e me forçou a falar sobre Joss Whedon neste verão foi o fato de eu ter sido informado de que Joss ordenou que a pele de um ator não-branco fosse mudada na pós-produção porque não gostava do tom de pele dele”, disse Fisher ao repórter da Forbes, Sheraz Farooqi, em uma entrevista publicada na quinta-feira.

Fisher continuou a acusar os executivos da Warner Bros. de participarem de “conversas racistas” em torno da produção.

Antes do processo de refilmagem de Liga da Justiça, conversas abertamente racistas foram mantidas e toleradas – em várias ocasiões – por ex e atuais executivos de alto nível da Warner Bros. Pictures”, disse Fisher à Forbes. “Os tomadores de decisão que participaram dessas conversas racistas foram Geoff Johns, Jon Berg e o atual presidente do Warner Bros. Pictures Group, Toby Emmerich”.

Esta é a primeira vez que Fisher acusa publicamente Emmerich de agir de forma inapropriada. A Warner Bros. não comentou a respeito.

Fisher também disse que Whedon reduziu ou cortou totalmente os papéis de vários atores não-brancos, incluindo os papéis interpretados por Joe Morton, Karen Bryson e Kiersey Clemons.

Sempre suspeitei que a raça foi um fator determinante para a forma como as coisas desandaram, mas foi só no verão passado que fui capaz de provar isso”, disse Fisher à Forbes.

Em 1º de julho, Fisher alegou no Twitter que Whedon foi abusivo no set de Liga da Justiça, que o cineasta assumiu depois que Zack Snyder deixou o cargo devido a uma tragédia familiar. Fisher alegou ainda que os produtores Johns e Berg autorizavam o suposto comportamento de Whedon.

A WarnerMedia abriu uma investigação sobre as acusações, mas em 4 de setembro, a Warner Bros. divulgou um comunicado alegando que Fisher não estava cooperando com os investigadores terceirizados que investigavam as acusações. Fisher negou isso em uma declaração própria. Jason Momoa, colega de Fisher em Liga da Justiça – que também está no elenco de Duna e vai protagonizar uma sequência de Aquaman para o estúdio – apoiou publicamente Fisher em uma declaração contundente de 14 de setembro dirigida à Warner.

Em sua entrevista à Forbes, Fisher disse que um novo investigador terceirizado foi contratado pela WarnerMedia para investigar, acrescentando que este investigador supervisionou as acusações de má conduta contra o ex-presidente da Warner Bros. e CEO chefe Kevin Tsujihara, que saiu em 2019.

Fisher também se dirigiu àqueles que podem duvidar de suas afirmações.

Você realmente tem que se perguntar o que é mais plausível – que eu iria afundar minha carreira de propósito fazendo declarações sobre figuras poderosas em Hollywood, que, se falsas, poderiam ser facilmente refutadas. OU um punhado de pessoas em posições de poder disseram e fizeram coisas terríveis para manter esse poder durante uma grande fusão corporativa“, disse Fisher.

Fisher, como fez no passado, continuou a dizer que mais detalhes viriam à tona após a investigação: “Pretendo ser muito mais específico sobre cada um desses caras depois que a investigação terminar – esta entrevista é apenas uma versão resumida“.

A entrevista de Fisher acontece enquanto ele trabalha com Snyder para filmar cenas adicionais para a Liga da Justiça de Zack Snyder, a série de quatro partes da HBO Max que irá restaurar a visão original do diretor.

[Atualizado] Horas após a publicação da matéria, a citação que Fisher supostamente fez foi removida da reportagem e a Forbes adicionou uma observação do editor no topo do artigo, na qual se lê: “Esta história foi atualizada a partir de sua primeira versão, incluindo o texto da manchete original”.

Antes de ser deletada, a frase atribuída a Fisher era: “O que deixou minha alma em chamas e me forçou a falar sobre Joss Whedon neste verão foi o fato de eu ter sido informado de que Joss ordenou que a pele de um ator não-branco fosse mudada na pós-produção porque não gostava do tom de pele dele“.

Um advogado e porta-voz de Joss Whedon se manifestou sobre à declaração deletada na matéria da Forbes: “O Sr. Fisher não teve conhecimento de primeira mão para apoiar qualquer uma das bárbaras alegações que ele fez sobre o Sr. Whedon e outros associados ao filme“, disse o advogado de Whedon em um comunicado. “Ele admitiu à Forbes esse desconhecimento ao afirmar que ‘foi informado’ dessas afirmações, sem identificar quem o supostamente o informou, ou quando supostamente tomou conhecimento das informações sobre a mudança do tom de pele. Na verdade, nada disso nunca aconteceu“.

O porta-voz de Whedon discorreu sobre o processo de edição para a Liga da Justiça, observando: “Como é padrão em quase todos os filmes, houveram várias pessoas envolvidas na mixagem do produto final, incluindo o editor, a pessoa dos efeitos especiais, o compositor, etc. com o colorista sênior responsável pela tonalidade, cores e o clima da versão final. Esse processo foi ainda mais complicado neste projeto pelo fato de que Zack filmou em filme, enquanto Joss filmou em digital, o que exigiu que a equipe, liderada pelo mesmo colorista sênior que trabalhou em filmes anteriores para Zack, reconciliasse os dois”.

Stefan Sonnenfeld, colorista sênior do filme, não comentou sobre o assunto.

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