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Era Uma Vez em Hollywood | O que não te contaram sobre o caso Tate-LaBianca e a Família Manson

Era Uma Vez em Hollywood finalmente chegou às plataformas digitais em novembro. Lançado em agosto aqui no Brasil, o longa arrecadou US$ 369 mi mundialmente, sendo a segunda maior bilheteria do diretor Quentin Tarantino, atrás apenas de Django Livre (US$ 449 mi).

O filme não só homenageia a Hollywood do final da década de 1960, como também reverencia a atriz Sharon Tate, interpretada por Margot Robbie. Durante a divulgação do filme no primeiro semestre do ano, Tarantino foi criticado por não dar a Robbie muito o que fazer, afinal Sharon Tate passa praticamente o filme inteiro fazendo coisas banais, como ir ao cinema, comprar um livro, ir a uma festa e por aí vai. Ela não acrescenta nada de substancial ao enredo. Quando questionado sobre isso, Tarantino respondeu que nunca teve a intenção de transformar Sharon Tate num de seus personagens. Ele queria retratá-la como aquela jovem mulher que realmente existiu um dia, e que teve sua vida cruelmente ceifada numa pacata noite de verão em 1969.

Aqui, Tarantino usa o cinema para fazer justiça a Sharon Tate e seus amigos, dando um final totalmente diferente do que aconteceu na realidade. A filmografia da atriz é pequena e, provavelmente, ela apareceu em mais documentários sobre sua morte na mão de um grupo de ripongas assassinos e drogados, do que em longa-metragens.

Em agosto desse ano fez 50 anos que Tate nos deixou. A data e o lançamento de Era Uma Vez em Hollywood trouxeram o assunto à tona na imprensa mais uma vez, mas alguns detalhes desconhecidos acerca dos crimes perpetrados pela “Família Manson” e suas consequências permaneceram distante do conhecimento público. Abaixo segue uma lista de fatos pouco comentados relacionados ao caso:

 

A Família Manson matou, ao todo, nove pessoas

Manson e seus minions ficaram conhecidos pela chacina que cometeram na residência do casal Tate-Polanski, em Cielo Drive, Los Angeles, em 9 de agosto de 1969. Além da atriz, o grupo matou os amigos dela: Jay Sebring, o cabeleireiro das celebridades; Abigail Folger, a herdeira do Café Folger; Wojciech Frykowski, aspirante a roteirista e o estudante Steve Parent, que era amigo do caseiro da residência. Como se não bastasse, na noite seguinte o grupo invadiu outra casa e matou Leno LaBianca, empresário do ramo de varejo, e a esposa dele, Rosemary. Os dois casos foram apelidados pela imprensa de Tate-LaBianca.

A morte do casal LaBianca não é tão mencionada quanto o crime ocorrido uma noite antes naquelas redondezas e ainda menos conhecido é o fato de que os assassinatos não foram os primeiros nem os últimos cometidos pela Família. Ainda em julho daquele ano, mais precisamente no dia 21, o músico Gary Hinmann foi morto a facadas depois de ser torturado durante três dias por Bobby Beausoleil, membro da Família Manson. Semanas após os crimes Tate-LaBianca, Manson e seus comparsas mataram Donald Shea, funcionário do Rancho Spahn, porque a polícia fez uma batida no local depois de receber uma denúncia de roubo. A Família suspeitou que foi Shea o responsável por denunciar o caso a polícia. Seu corpo só foi encontrado em 1977, quando Steve Grogan (outro membro) contou à polícia do possível local no qual a vítima foi enterrada. Grogan, aliás, foi o único membro da Família envolvido nos crimes a conseguir liberdade.

 

Não se sabe ao certo o que fez a família cometer aqueles crimes

A versão adotada pela promotoria à época foi que Manson acreditava que haveria uma guerra racial, chamada pelo grupo de Helter Skelter e, como essa guerra nunca se iniciava, caberia ao grupo agilizar o início do conflito. A intenção era a de causar tensão racial, segundo o promotor do caso, matando brancos ricos e colocando a culpa nos negros, mais precisamente nos Panteras Negras. Daí as inscrições feitas com o sangue das vítimas nas paredes: “PIG”, “POLITICAL PIGGY”, “DEATH TO PIGGIES” (Porco, Porquinho Político, Morte aos Porquinhos, respectivamente). Aliás, “Pig”, ou “Porco”, era um dos apelidos usados por ativistas negros para se referir à polícia.

No entanto, Manson negou essa versão até sua morte. Dizia apenas que não mandou matar ninguém e que seus seguidores foram até lá por vontade própria. De fato, a polícia chegou a trabalhar com a hipótese de que o grupo cometeu os assassinatos para criar um álibi para o companheiro de seita Bobby Beausoleil (músico e ator pornô). Ele estava preso por ter matado Gary Hinman, em julho daquele ano. Diante disso, Tex Watson, Patricia Krenwinkel e Susan Atinks decidiram cometer um assassinato, mantendo as mesmas características da morte de Hinman. Com isso, esperavam confundir a polícia e induzir a libertação de Beausoleil, pois não teria como ele ter cometido o segundo crime, visto que estava preso. Seja como for, de nada serviu, visto que a polícia investigou os casos separadamente.

 

Sensacionalismo da mídia

Não é de hoje que a mídia adora uma tragédia. Em 1969 não foi diferente e a imprensa surgiu com diversas especulações. Entre as várias hipóteses, chegaram a especular que os crimes tiveram relação com o tráfico de drogas (mesmo com uma pequena quantidade de maconha sendo encontrada na casa), pois Wojciech Frykowski, uma das vítimas, era um conhecido usuário. Outra hipótese levantada foi a de que as mortes tinham alguma relação com o satanismo e que as vítimas também eram satanistas. A suposição absurda vem do sucesso de O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, marido de Tate. Outra hipótese absurda foi a de que os crimes foram produto de uma orgia que deu errado (outra conclusão ilógica). Polanski, aliás, até convocou uma coletiva de imprensa semanas após o crime, para defender a esposa das especulações maldosas.

 

Roman Polanski espalhou cartazes oferecendo recompensa a quem tivesse informações sobre os criminosos

Durante meses após o massacre ninguém sabia nada sobre a sua autoria, o que só alimentava as especulações da imprensa. Neste período, Polanski, que vivia à base de remédios (segundo Mia Farrow, amiga do casal), espalhou cartazes de recompensa por toda Los Angeles, onde oferecia 100 mil dólares a quem desse informações que levassem aos assassinos. Alguns amigos o ajudaram nessa empreitada, como o ator Warren Beatty.

 

Manson e seus minions só foram pegos por causa do vacilo de um dos membros

Os meses se arrastavam e a polícia não tinha a mínima ideia de quem havia cometido o massacre na casa de Sharon Tate. Até que as autoridades finalmente chegaram a Susan Atkins. Manson e companhia já levantavam suspeitas da polícia por causa dos vários roubos e furtos cometidos (eles viviam cometendo pequenos delitos, aliás). Ao investigar a morte de Gary Hinman, os investigadores chegaram até Atkins, que estava com Beausoleil no momento do crime. Ela foi presa e, enquanto estava encarcerada, resolveu se gabar para as suas colegas de cela que havia participado das mortes na casa de Tate. As detentas repassaram o relato de Atkins à polícia, que assim pode elucidar o caso.

 

Hollywood entrou em pânico

Como ninguém sabia nada sobre a autoria dos assassinatos, muita gente na comunidade artística achou que os assassinos visavam gente famosa ou rica. Isso deu origem a um pavor generalizado. Mia Farrow, protagonista de O Bebê de Rosemary e amiga de Sharon Tate, ficou assustada demais para ir até o funeral dela; Frank Sinatra foi para um esconderijo; Tony Bennett mudou-se de um bangalô para uma suíte interna no Beverly Hills Hotel; e Steve McQueen passou a andar com uma arma embaixo do banco da frente do carro.

 

A chacina na casa de Sharon Tate teve um sobrevivente

William Garretson, de 19 anos, trabalhava como caseiro na residência em questão e, na noite do crime, estava recebendo um conhecido chamado Steve Parent. Ele decidiu não levar Parent até o portão principal e ficou na casa de hóspedes da propriedade, onde morava (Parent foi morto enquanto dava a partida no carro). Decidiu ouvir música. Fez isso por um tempão e então adormeceu. Foi acordado pela polícia algumas horas depois e só aí percebeu a gravidade do que havia acontecido. Como ele tinha acesso à casa e estava ileso, foi considerado o primeiro suspeito dos crimes, mas foi libertado alguns dias depois, por falta de provas. Garretson morreu em 2016, vítima de câncer.

 

Pai da atriz fez uma investigação própria do caso

Coronel Paul Tate tinha três filhas: Sharon, Debra e Patricia. Ele era o típico pai protetor e a morte da sua primogênita foi um forte golpe para toda a família. Ele havia trabalhado por quase 30 anos no serviço de inteligência do exército americano e usou sua experiência particular para ajudar a solucionar o caso. Paul chegou até mesmo a se disfarçar de hippie e se infiltrar em comunidades do tipo, mas não conseguiu informações úteis para a polícia. Ele morreu em 2005, aos 82 anos. Antes do seu fim, ele ainda teve que lidar com a morte da caçula Patricia, que foi vítima de câncer de mama cinco anos antes.

 

A mãe de Sharon Tate virou ativista pelos direitos das vítimas

Após a morte de Sharon, sua mãe Doris entrou em depressão. Passou mais de uma década reclusa, lutando contra a doença e evitando falar sobre a morte da filha. Até que em 1982, ela descobriu que Leslie Van Houten (membro da família que participou do assassinato do casal LaBianca) estava coletando assinaturas para um abaixo-assinado em favor de sua liberdade condicional. Foi aí que decidiu organizar um outro abaixo-assinado contra Van Houten, no qual teve o apoio da revista National Enquirer, que imprimia cupons nas edições para que as pessoas assinassem e enviassem a Doris Tate. Ela conseguiu 350 mil assinaturas e a condicional de Van Houten foi negada.

Tate apareceu em vários programas de entrevistas na televisão, discutindo sua opinião sobre o sistema correcional e o impacto que o assassinato de sua filha teve em sua família. Ela ingressou na organização “Pais de filhos assassinados”, onde assumiu o papel de conselheira. Mais tarde, tornou-se membro ativo dos grupos de Reconciliação e Justiça das Vítimas de Homicídios. Ela fundou a COVER, Coalition on Victim’s Equal Rights (Coalizão de Direitos Iguais das Vítimas), e atuou no Comitê Consultivo Estadual de Serviços Correcionais da Califórnia como representante das vítimas.

Ela também fez parte de um grupo que trabalhou na aprovação da Proposição 8, a famosa Lei dos Direitos da Vítima, aprovada em 1982. Permitiu a apresentação de declarações de familiares das vítimas durante a sentença de agressores violentos. Tate se tornou a primeira californiana a fazer tal declaração depois que a lei foi aprovada, ao falar na audiência de condicional de um dos assassinos de sua filha. Ela morreu em 1992, vítima de câncer no cérebro. O resto da família dela também esteve presente em todas as audiências de liberdade condicional dos assassinos. Atualmente, Debra Tate é o único membro vivo da família e está presente em todas as audiências, dando continuidade ao trabalho da mãe.

 

As vítimas esquecidas da “família”

Ao relembrar os assassinatos, praticamente ninguém cita as mortes de Gary Hinman e Donald Shea. Este último era ator e dublê, dividia seu tempo entre Hollywood e o trabalho no rancho Spahn. De início, Shea não se opôs à presença da família no rancho quando eles chegaram, em 1967, mas a tensão aos poucos aumentou. A prima de Shea, Windy Bucklee, conta que ele sempre fora protetor e correto, e acrescenta que foi essa característica que o pôs no alvo de Manson. Os dois chegaram, inclusive, a brigar fisicamente, situação que acabou com Manson sangrando numa calçada, enquanto outro membro da família apanhava de Shea. As tensões cresceram mais ainda quando George Spahn, dono do rancho, decidiu vender o resto da propriedade e o novo dono queria que a família fosse expulsa, ao mesmo tempo, ele queria contratar Shea como guarda da propriedade. Logo depois do massacre Tate-LaBianca, a polícia fez uma batida no rancho e prendeu Manson por roubo de carros. Ele achou que Shea o denunciou a polícia porque o queria fora do rancho. Manson, então, reuniu alguns de seus seguidores e matou Shea a facadas. Seu corpo só foi encontrado em 1977. Em 2013, sua única filha e sua ex-esposa reiteraram a incapacidade de ressocialização dos assassinos de Shea na última audiência de condicional realizada (veja mais sobre o caso).

Já Gary Hinman era músico e tinha um laboratório de mescalina no porão. Era aquela típica figura sessentista do “faça amor, não faça guerra” e, por isso, tinha a política de deixar a porta de sua casa sempre aberta para os amigos, para eles ficarem durante o tempo que quisessem. O problema foi que Gary fez amizade com pessoas erradas. Um desses “amigos” era Bobby Beausoleil (se lembra dele?), que chegou a morar lá antes de assassinar o dono da casa. Manson, líder do culto que Beausoleil fazia parte, suspeitou que Hinman escondia uma herança e mandou Bobby e mais duas colegas de seita para ir até a casa da vítima pegar o dinheiro. Depois de três dias de tortura (que incluiu uma visita do próprio Manson ao local), Beausoleil finalmente se convenceu de que Hinman não tinha dinheiro algum, porém, ele sentiu que era tarde demais para liberar Hinman e, com medo de ser preso, decidiu matar o “amigo”. Como se não bastasse, Bobby ainda pintou mensagens com o sangue da vítima nas paredes, para despistar a polícia. Ele cumpre prisão perpétua até hoje. “Éramos do oeste do Colorado, afastados da sociedade. Não acho que a maioria das tias e tios de Gary realmente acreditasse que existiam pessoas como Manson“, disse Charlotte Hood, prima de Hinman, em 2017 quando Manson morreu. E completou: “Já vai tarde“.

 

O que aconteceu depois com as famílias das demais vítimas do caso Tate-LaBianca?

Jay Sebring – Era ex-namorado e amigo de Sharon Tate, era também um cabeleireiro badalado das celebridades, com clientes famosos, incluindo Frank Sinatra e Sammy Davis Jr. Na noite dos crime, estava só de passagem pela casa da amiga, depois de ter jantado com ela e com um casal de amigos em comum. Hoje, 50 anos depois, seu sobrinho Anthony DiMaria prepara um documentário sobre o tio, para eternizar o homem de negócios e “hairstylist” que ele foi. “[Jay Sebring] viveu uma vida profunda e ótima, mas de alguma forma ele se tornou conhecido pelos últimos 10 minutos de sua vida“, disse DiMaria, “Ele morreu com coragem“. Já a outra sobrinha, Mishele DiMaria, relembra quando foi a um show da sua banda favorita em Las Vegas, onde o vocalista se apresentou com uma camiseta na qual se lia “Charlies’s  Angels“, com os rostos de Manson e de outras três seguidoras do culto estampados nela. “Senti como se tivesse levado um chute no estômago“, disse ela. “A felicidade foi arrancada de mim. Saber que eu, sem ter ideia, apoiei o trabalho de alguém que reverencia os assassinos do meu tio Jay, me deixou fisicamente doente. A cicatriz foi rasgada“. Os DiMaria, assim como a família de Sharon Tate, vão a todas as audiências de condicional dos condenados. “É como entrar num buraco negro“, diz a irmã de Jay, Peggy DiMaria.

Abigail Folger – O assassinato de uma herdeira milionária por um culto de ripongas seria algo chocante e inusitado o suficiente por si só, mas o fato foi ofuscado pela morte de alguém mais famoso. Se não fosse pelo namorado Wojciech Frykowski, Abigail jamais estaria ali. O casal foi convidado por Roman Polanski à residência, para fazer companhia à esposa grávida do cineasta, que estava ocupado na Europa. Ela era a primogênita de Peter Folger, CEO do Café Folger, que tinha outros dois filhos menores. Abigail tinha um relacionamento conturbado com Frykowski, que era um viciado em drogas e vivia às custas da fortuna dela. Seu terapeuta disse à polícia que ela planejava por um fim na relação, mas, como sabemos, Abigail não viveu tempo suficiente para isso. Após a morte dela, Peter Folger fez de tudo para proteger sua imagem da imprensa sensacionalista, limitou ao máximo o acesso dos jornalistas a informações sobre Abigail e proibiu até mesmo o uso de imagens dela para serem exibidas em documentários sobre o crime. Não é à toa que existam tão poucas imagens e informações sobre Abigail atualmente. Ela morreu dois dias antes de completar 26 anos.

Wojciech Frykowski – Assim, como Roman Polanski, é nascido na Polônia e se tornaram amigos enquanto Roman estudava cinema. De família abastada, o pai de Frykowski morreu quando ele ainda era adolescente e deixou uma imensa fortuna para ele. Frykowski, então, viveu como um típico playboy: não trabalhava e só vivia farreando pela Europa. Foi justamente quando a fortuna dele escasseou que conheceu Abigail Folger em Paris, enquanto procurava emprego de ator. Falido e sabendo do sucesso de Polanski nos EUA, Frykowski decidiu se mudar para lá e tentar achar um emprego na indústria do cinema. Ele se recusava a abrir mão do estilo de vida extravagante e passou, então, a esbanjar o dinheiro da namorada podre de rica. Isso mais o abuso de drogas desgastaram o relacionamento; e olha que Abigail, assim como o namorado, era usuária assídua de várias drogas, que variavam de maconha a cocaína. Frykowski, com 32 anos, deixou dois filhos de casamentos anteriores. Um deles, Bartek Frykowski, processou Charles Manson pelo assassinato do pai em 1971. Ganhou a causa, mas não viu um centavo da condenação até os anos 1990, quando a banda Guns N’ Roses regravou uma das canções de Manson. A gravadora concordou em pagar US$ 62.000 a Bartek por cada milhão de cópias vendidas. Embora o dinheiro certamente tenha sido útil para a família de Bartek, ele disse que levaria mais do que alguns dólares para aceitar a morte de seu pai. “É realmente uma cadeia de eventos bizarra que me traz aqui hoje, anos após o evento mais trágico da minha vida. Mesmo que essa nova situação não possa mudar o passado, minha esperança é que algo positivo surja para o futuro. Manson destruiu mesmo a minha vida”, disse ele um ano depois do acordo. Em uma trágica reviravolta, Bartek morreu em 1999 no que muitos especularam ser um assassinato, apesar de declarações oficiais das autoridades polonesas dizerem que foi um suicídio (Veja mais sobre Wojciech Frykowski aqui).

Steve Parent – Steve era um garoto comum de 18 anos que em breve iria para a faculdade. Certo dia, ele saiu do trabalho e foi até a casa da atriz Sharon Tate para vender um aparelho de som ao caseiro. Ao sair do local se deparou com um cara armado, de quem levou 4 tiros. Seus pais, naturalmente, ficaram preocupados por não terem notícias do filho, até que no dia seguinte o pai de Steve, Wilfred, recebe uma ligação da polícia informando sobre a morte do garoto. A atitude foi criticada por ele depois, assim como a postura da imprensa, que deu destaque às vítimas famosas, enquanto esquecia do seu filho. Como se não bastasse, a tragédia destruiu a família. Os Parent chegaram a sair de Los Angeles, mas o relacionamento entre os pais de Steve nunca mais foi o mesmo e o casal se separou um tempo depois. A irmã de Steve, Janet Parent, também vai a todas às audiências dos assassinos, sendo publicamente contra a soltura dos condenados.

Leno e Rosemary LaBianca – Eles não eram famosos, mas viviam bem. Leno era um empresário bem-sucedido e morava com sua esposa na sua antiga casa de infância. Os dois formavam um casal moderno para os padrões dos anos 60, ambos estavam no segundo casamento e conviviam bem com seus respectivos enteados. Na noite seguinte ao massacre em Cielo Drive, Manson e companhia invadiram a residência para matar o casal. Depois dos crimes, ainda usaram o banheiro das vítimas para tomar um banho e tirar o sangue. Por meses, a polícia também não soube dizer quem os matou, até que Susan Atkins confessou a participação do grupo. A filha de Rosemary, Susan Harmon, ao contrário dos parentes das demais vítimas, disse em uma das audiências condicionais de Tex Watson (assassino de sua mãe e do padrasto), que acreditava na conversão dele. Para quem não sabe, como todo assassino cruel, Watson também virou evangélico na cadeia. Aliás, Susan Harmon brigou até mesmo com Doris Tate, que obviamente considerou um absurdo a filha de uma das vítimas defender com tanto afinco o assassino da mãe (mais sobre o caso, aqui).

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