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Crítica: Doutor Sono | A Sequência Digna de um Clássico

A continuação tão aguardada de O Iluminado: Doutor Sono, chega aos cinemas no dia 7 de novembro, e consegue ser uma continuação digna deste clássico da cultura pop.

O Iluminado de Stanley Kubrick é um dos maiores clássicos do cinema. Inspirado no romance de Stephen King, possui uma direção inovadora e primorosa, montando um cenário aterrorizante, e ainda entrega uma das melhores atuações de Jack Nicholson,  que acabou se tornando uma das cenas mais icônicas da cultura pop. Após quase 40 anos desde o seu lançamento, Doutor Sono chega aos cinemas, mesmo faltando muito para chegar aos pés da obra de Kubrick, ainda é uma excelente sequência.

Dirigido por Mike Flanagan (A Maldição da Residência Hill), na infância, Danny Torrance (Ewan McGregor) sobreviveu a uma tentativa de homicídio por parte do pai, um escritor perturbado pelos espíritos malignos do Hotel Overlook. Já adulto, traumatizado e alcoólatra. Danny se estabelece em uma pequena cidade, onde consegue um emprego no hospital local. Sua paz, porém, está com os dias contados a partir de quando cria um vínculo telepático com Abra, uma menina com poderes tão fortes quanto aqueles que ele bloqueia dentro de si.

A direção competente de Flanagan consegue emular bastante os cenários do primeiro filme, os usando para situações parecidas, que conseguem ser um belo fanservice para os fãs de O Iluminado. Os enquadramentos são usados de forma bem satisfatória, aumentando a tensão, ou explorando o local, dando ao espectador uma ótima noção de espaço, chegando a fazer algumas metáforas que podem passar desapercebidas, como a cena do Dan andando por um corredor e as luzes se acendendo, no final do filme.

Os efeitos especiais são utilizados para compor cenas ousadas e muito bem produzidas, deliciosas de serem apreciadas. Infelizmente, no terceiro ato, Doutor Sono cai na tentação de imitar seu antecessor, ultrapassando a linha da homenagem, e se valendo de situações muito parecidas, mesmo com um certo toque de originalidade, ainda causa uma sensação de repetição.

O roteiro enriquece demais o seu antecessor, mesmo sendo uma história nova, consegue explicar situações enigmáticas do primeiro filme, desenvolvendo e acompanhando o trauma de Dan Torrence de forma convincente e humana, até a sua recuperação. Os personagens novos apresentados são inseridos de forma orgânica e crível, mesmo aqueles com pouco espaço de tela, são importantes para a movimentação da trama.

As atuações são bem competentes, mesmo o núcleo infantil consegue segurar bastante o ritmo do filme. Mas a atenção vai toda para Ewan McGregor (Trainspotting), que consegue entregar uma performance convincente e sensacional, mesmo cercada de passividade, e sem a visceralidade de Jack Nicholson (The Batman).

Doutor Sono, obviamente, não chega aos pés de O Iluminado, mas consegue ser uma sequência digna de um dos maiores clássicos do cinema, ainda que caia na tentação de imita-lo no terceiro ato, o que pode causar um certo desconforto. A trama é muito bem desenvolvida, enriquecendo o primeiro filme, mesmo contando uma nova história, com personagens envolventes e carismáticos. Sem dúvida alguma, a melhor adaptação de um romance de Stephen King este ano, e vale o seu ingresso.

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