
Cinema Purgatório é uma das republicações mais duvidosas deste ano, não vem de nenhuma editora conhecida, leva na capa apenas alguns nomes de grandes artistas na indústria e algumas histórias de caráter questionável, tudo que nos leva a não comprar um título como este, não poderiam estar mais errados.
Este projeto é uma antologia de Alan Moore (A Saga do Monstro do Pântano) com a participação de Kevin O´Neill (A Liga Extraordinária), cuja a iniciativa foi financiada coletivamente no Kickstarter pela Avatar Press. Lançada oficialmente na London Super Comic Com em uma edição de 52 páginas.
A ideia central deste projeto e dar aos artistas liberdade irrevogável dentro das páginas mostradas neste encadernado, mostrando histórias totalmente diferentes de tudo que já foi lido. O estilo narrativo lembra muito a editora 2000 AD que publica na Europa títulos como: Área Cinzenta e Choques Futuristas, sendo que todas os seus títulos, o mais promissor fora: Juiz Dredd que conseguiu conquistar fãs mundo a fora, chegando a ganhar dois longas metragem e futuramente uma série que irá se passar dentro do universo do personagem.

Apesar de parecer uma iniciativa nova, o formato deste encadernado já tentou ser emplacado antes em território brasileiro pela Mythos Editora, que em maio de 2013 lançou: Juiz Dredd Megazine, uma revista de formato 20,5 x 27,5 cm, com 68 páginas e o preço de R$ 16,90, que contava com um compilado de histórias do personagem e mais algumas outras histórias futuristas e de ficção cientifica que faziam sucesso na Europa. Infelizmente, não teve uma recepção muito boa sendo um fracasso de vendas, o que acarretou em seu cancelamento na edição #24 em Setembro de 2015.
Claro que as ideias deste projeto são mais “liberais” do que as do título da Mythos, enquanto ela se centrava apenas em aventuras futuristas e de ficção cientifica, Cinema Purgatório é explicitamente um liquidificador de ideias, misturando os mesmos conceitos com monstros, histórias filosóficas e eventos históricos.
As histórias presentes no encadernado são bem diversificadas e inegavelmente simples, porém autenticas em sua essência, todas em preto em branco, dando um ar ainda mais sombrio e libertador para as edições. A falta de grilhões editoriais é vista nitidamente dentro de cada página, com ideias ousadas e viscerais, porém que são extremamente objetivas e entregam rapidamente o que o leitor está esperando.

O projeto apresenta ao leitor um novo estilo narrativo, com uma liberdade de ideias não vista na indústria de quadrinhos americana que é altamente controlada por diversos órgãos e editoras para alavancar as vendas de um público mais… frágil, apesar de todo o seu histórico de violência visceral presente em diversos outros títulos (lembrai, lembrai da Image nos anos 90…). O formato é muito bonito e respeita os traços e detalhes dos artistas, com um preço alto, ainda é uma aquisição interessante para se ter na prateleira da coleção.
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