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Especial | Superman 80 anos

O que Nietzsche, o messianismo e o Superman tem em comum? Uma abordagem histórica sobre a importância do Superman e todos os ideais em que ele foi baseado em um artigo mais que especial.

Parabéeens pra você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!

Vale parabéns atrasado?

 

Ah, os 80 anos dele! Kal-El, Clark Kent, Superman! O maior herói de todos os tempos. Essa data não poderia passar em branco, mesmo dando uma de Rubinho Barrichelo. Nesses 80 anos, foram muitas aventuras, títulos publicados, vilões combatidos e gatinhos salvos de árvores. Mas isso você já sabe. Porém, esse artigo especial é para abordar facetas e conceitos desconhecidos do Homem de Aço, desde ideais religiosos até desejos filosóficos de Friedrich Nietzsche. E claro, uma homenagem a tantos anos vividos.

 

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Quando Jerry Siegel e Joe Schuster, dois jovens sofrendo com a crise de 29, chegaram na porta da Detective Comics (não a revista, gafanhoto) e apresentaram sua ideia, de um homem super-poderoso, depois de tentativas fracassadas em diversas outras ocasiões, mal eles sabiam que estavam dando vida ao maior ícone dos quadrinhos e um dos personagens fictícios mais influente de todos os tempos, conhecido em todo o globo. Logo em seu primeiro gibi, Action Comics #1, Superman foi um sucesso de vendas. Ganhou programa de rádio, desenho animado, produtos infantis, e surpreendentemente, uma revista solo, o primeiro herói a alcançar esse feito. Para a época, foi um estouro. De um mercado que estava acostumado com quadrinhos pulp, detetivescos e de mistério, um alienígena super-forte, super-rápido, que dava pulos maiores que prédios (originalmente o personagem não voava), foi um grande choque. Devido ao seu sucesso, surgiram inúmeras cópias, e a própria DC encomendou um personagem que deveria ser o completo oposto de Superman, um vigilante humano, sombrio, das trevas, e o que surgiu foi um grande morcego, mas isso é história para outro post. Diversos atores interpretaram o herói, apesar de apenas um realmente incorporar a essência do personagem. Grandes histórias foram criadas, e gerações e gerações de leitores e fãs admiraram o Super-Homem. Porém, há mais em sua essência e personalidade do que parece. O Superman é um personagem ainda mais inteligente do que aparenta ser.

 

Inconscientemente ou não, Siegel e Schuster adaptaram aos quadrinhos um homem idealizado pelo filósofo alemão Nietzsche (1844-1900). Assim Falou Zaratustra, uma de suas maiores obras, aborda um homem que estava além de todos os seus semelhantes, era superior, à frente da civilização, batizado, pelo filósofo, de Übermensch, em tradução livre, Super-homem. O homem superior, que não seguia as massas. Nietzsche desejava um ser que estivesse além das capacidades humanas, que agisse por conta própria, fosse um real ícone, um semideus para a humanidade. Lembra alguém? Claro que os conceitos nietzschianos foram adaptados à realidade necessária – uma história voltada para o público infanto-juvenil -, que agradasse a todos e vendesse facilmente. Um personagem fictício simples, de uma origem inimaginável.

 

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Se os conceitos filosóficos já não eram suficientes para caracterizar e dar vida ao personagem, logo em sua história de origem é possível perceber seu caráter religioso. Ele é o filho único enviado à Terra. Criado por um casal bondoso. Aos 30 anos(!) iniciou sua “carreira” heroica. Além de tudo isso, Superman é o salvador, o mais puro dos heróis, a esperança da humanidade. A homenagem a Cristo, mesmo que não tenha sido a intenção de Siegel e Schuster, é extremamente notável. Superman é o messias, destinado a nos salvar, e ele é adorado pela população como um. O messianismo que envolve o Superman, além de estar presente em suas histórias, está presente em seus desenhos. Alex Ross se esforçou para retratá-lo semelhante a pinturas religiosas e renascentistas. Além do mais, recentemente, para sacramentar seu caráter religioso, Superman, em uma conversa com seu filho Jon, ensina-o valores cristãos, que realçam ainda mais a bondade e defesa dos valores morais do personagem.

 

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Como leitor de quadrinhos e espectador de cinema, meu personagem favorito sempre foi o Batman. Seja por conta dos desenhos animados, dos filmes, o Morcego sempre me encantou mais. O Superman nunca me chamou a atenção, curiosamente. Mas, claro, com o tempo, abrindo a mente e descobrindo novos universos, comecei a admirar personagens que sequer havia ouvido falar como criança, como um mago salafrário chamado John Constantine, e graças ao Sir Alan Moore, o Monstro do Pântano, um personagem mais cativante do que parece. Com o Superman, a história não foi diferente. Compreendendo sua mitologia, sua importância, e principalmente, sua bondade e valores, passei a vê-lo com outros olhos. Ele não é só um personagem qualquer; ele é O super-herói, o primeiro, o mais poderoso, mais rápido que uma bala, que está aí desde 1938, encantando crianças e adultos. Sem ele, não teríamos Batman, Capitão Marvel, e uma lista de heróis criados para tentarem bater de frente com o sucesso que foi. Mas só existe um mesmo; Kal-El, Clark Kent; a esperança da humanidade, o salvador da pátria; um herói, que mesmo sendo fictício, dá o desejo de que realmente fosse de verdade.

 

 

Por fim, um ode aos “heróis de verdade” que imortalizaram o personagem:

  • Jerry Siegel e Joe Schuster, os gênios que criaram a lenda;
  • Os escritores Grant Morrison, Mark Waid, Mark Millar, Jeph Loeb, Dennis O’Neil, Marv Wolfman e John Byrne, que teceram clássicos e todo um universo para o personagem;
  • Os desenhistas Curt Swan, Gil Kane, e José Luis Garcia-López, por darem vida ao herói;
  • E claro, a Christopher Reeve, que nos fez acreditar que o homem poderia voar…

 

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