Written by 19:17 Criticas, HQs/Livros | Criticas

Zoom em Quadrinhos | Monstros à Solta! Vol.1 – Uma história divertida, porém completamente mediócre.

A primeira edição deste mega-crossover chega a banca, mas se mostra totalmente mediócre e com uma falta de originalidade gritante, mesmo que seja divertida de ser lida.

O que motiva mais os heróis a saírem de suas humildes residências e quarteis generais para lutarem? Se falou: super-vilões não está totalmente errado, porém seja leitores novos ou de longa data, sabem que sempre existem Monstros dentro de todos os universos de super-herois que volte e meia aparecem para atormentar os cidadãos de alguma tarde tranquila de alguma cidade dos Estados Unidos enquanto os caras maus não estão tramando algum plano mirabolante para conquistar o mundo ou para a próxima mega-saga que irá abalar novamente as estruturas do universo dos heróis. Este novo crossover abraça este conceito entregando: Monstros à Solta! que apesar de muito divertida, não escapa de um roteiro genérico e desperdiçado.

Em 2016, com o fracasso comercial de Guerra Civil II, a Marvel Comics estava desesperada para conseguir a atenção novamente do público, considerando que sua rival está de vento em pompa e conquistando cada vez mais os fãs de quadrinhos, muitos deles que eram fieis a Casa das Ideias. Com isso a Marvel começou a divulgar diversos teasers com nomes de alguns artistas acompanhados de uma sigla misteriosa: MU, inicialmente se especulando que seria mais uma aventura dentro do Universo dos Mutantes, mas o verdadeiro significado foi bem mais surpreendente. As letras eram as inicias de Monsters Unleashed, ou Monstros à Solta, que nada mais era do que uma nova série focando nos monstros dos anos 70 da editora. Curiosamente, é o mesmo nome de um gibi de terror publicado em 1973 também pela Marvel.

Escrita pelos roteiristas Cullen Bunn (Star Wars: Darth Maul), Jim Zub (Wayward) e Joshua Corin (Homem-Aranha/Deadpool), desenhada por Steve McNiven (Guerra Civil), Greg Land (Ultimate Quarteto Fantástico), Sean Izaakse (Actionverse) e Tigh Walker (Big Thunder Mountain Railroad) e arte-finalizada por Jay Leisten (A Morte do Wolverine) e novamente: Sean Izaakse e Tigh Walker, o encadernado conta a história de Ken Kawade, que enquanto desenha no seu quarto, diversos monstros começam a cair como meteoros ao redor do planeta, fazendo com que todas as equipes de heróis se mobilizem para deter uma catástrofe que apenas pode ser mensurada como: Fim do Mundo. Em paralelo, a caçadora de monstros Elsa Bloodstone, tenta achar a resposta por trás deste ataque coordenado de criaturas horrendas.

O roteiro apesar de ser extremamente divertido, cheio de piadas e momentos engraçados que funcionam em perfeita harmonia ao longo da trama, não escapa de ser genérico e não trazer nenhuma novidade para dentro do Universo Marvel. Em diversas situações, alguns elementos parecem ter sido retirados de antigas série e sagas da editora e descaradamente copiados para serem encaixados na história, alguns identificados logo na hora, como a antiga minissérie: 1985, contada em cinco edições escrita por Mark Millar (Kick-Ass) e desenhada por Tommy Lee Edwards (Bullet Points), publicada em meados de 2009 no Brasil dentro da extinta: Marvel Max, que parte da ideia do que aconteceria se os heróis e vilões da Marvel invadissem o mundo real (recomendadíssima, porém apenas disponível em vias digitais).

Muitas das cenas que permeiam as páginas deste encadernado, são idênticas a da minissérie de Millar, sem contar em outras características semelhantes de outras mídias, como o plano dos monstros de preparar o terreno para a chegada de algo muito maior e também o visual de alguns monstros (tem até uma piada com isto dentro da edição), semelhante ao primeiro filme da franquia de Círculo de Fogo ou até mesmo um monstro que lembra a Salamandra vilã do Monstros S.A.. A aparência das criaturas, fica evidente que era para ser referência a diversos monstros da cultura pop, mas será que os elementos de roteiro eram também para ser?

Os desenhos variam muito entre as edições presentes no encadernado, justamente por ser uma técnica da editora para não atrasar nenhuma publicação do crossover nos Estados Unidos, se valendo de diversos artistas e arte-finalistas para terminarem a obra a tempo. A arte presente no encadernado é competente, com uma boa sincronia com a narrativa e cenas de ação até que interessantes, mas não traz nada de espetacular e acaba caindo no padrão.

Suas 132 páginas estão dentro de um encadernado de formato simples com capa cartão, porém elegante, tornado o preço relativamente acessível, considerando o novo padrão de preços da Panini. Vale lembrar que esta é a primeira edição de uma série, que irá abordar o mega-crossover da editora e não possui nenhum Making off no final.

O Monstros à Solta! É a típica leitura descompromissada, cujo o único objetivo é divertir o leitor, mas acaba caindo no padrão, com um roteiro e arte nada ousados e totalmente genéricos. Se o intuito for apenas desligar o cérebro e se entreter com uma história simples, este é o tipo de HQ ideal, mas ainda compensa deixar passar para compra de um título melhor.

Close