Em dois shows consecutivos, em 02 e 03 de outubro, um em comemoração aos 30 anos do álbum Holy land, outro em comemoração aos 25 anos do álbum Rebirth, espetáculos levaram mais de 8 mil pessoas ao Tokio Marine Hall, em São Paulo.
Dia 2 – Luis Mariutti e a celebração de Holy Land
No dia 02 o show teve início com o clássico “Carry on”, além de algumas canções de outros discos, ou seja, em ambos os shows, a banda optou por não executar as músicas dos discos homenageados da primeira à última, seguindo a ordem dos registros de estúdio. Uma decisão acertada, que deu maior dinâmica às apresentações.
No show da sexta-feira, a performance de Guga Machado foi um show à parte. O músico que já trabalhou com nomes como Toquinho, além da parceria com o Shaman, foi peça fundamental para a dinâmica da execução ao vivo de um álbum com a complexidade e profundidade rítmica do Holy Land. A dobradinha entre Guga e Bruno Valverde no time rítmico da banda garantiu grandes momentos para o fã que esteve presente na apresentação.
Ainda dia 02, a presença de Luis Mariutti, baixista original do quinteto, foi recebida com festa pelo público. Com seu estilo e presença de palco características, Luis parecia muito à vontade no palco com seus ex-membro de banda.
Dia 3 – Alirio Netto e o constante renascimento do Angra
No sábado, dia 03, a apresentação começou com “Nothing to Say”, clássico do Holy Land, álbum celebrado no dia anterior. A faixa soou mais pesada do que de costume, fazendo o público vibrar do primeiro ao último segundo.
Assim como no show da sexta-feira, Alirio Netto foi várias vezes ao piano, inclusive para tocar “Bleeding Heart”, essa, sem a participação de Edu Falaschi, o que evitou a já famosa intervenção do público com o refrão “Agora estou sofrendo”, em alusão à versão da faixa feita pelo grupo Calcinha Preta.
Alirio, talvez por já ter uma longa relação com o chamado “Angraverso”, tendo sido parceiro de banda de Marcelo Barbosa, no Khalice e de Luis Mariutti no Shaman, esbanjou energia e (ao menos ao que este jornalista pôde perceber) gana de estar onde está.
Em duas performances impecáveis, Alirio Netto talvez tenha entregado ainda um pouco a mais, demonstrando que assumir o posto de vocalista de uma das maiores bandas do Brasil não é apenas uma missão árdua, mas também gratificante.
No cômputo geral dessa turnê até agora, pudemos notar algo que se consolidou nos dois shows de São Paulo (cidade natal da banda): o Angra, de alguma forma, se tornou uma instituição que transcende as figuras dos próprios músicos. À exceção do Black Sabbath (muito em função de ser o pináculo máximo do estilo), nenhuma banda de que eu me lembre foi capaz de ter 4 vocalistas diferentes, sendo dois extremamente icônicos e ainda assim manter sua relevância, carinho e apoio por parte dos fãs.
O fenômeno Angra (e isso ficou claro ao longo dessa turnê) foi capaz de aparar arestas e se manter no difícil cenário do metal nacional, assim como no competitivo cenário europeu e asiático, sem que os encontros e desencontros abalassem a relevância da banda ao longo de quase três décadas e meia. Isso é, sem dúvidas, um fenômeno a ser observado.
Créditos da imagem de capa: Leca Suzuki
