Um filme simples, com ar daquelas sessões da tarde que você não se arrepende de ver e uma coleção de clichês de filmes-catástrofe e monstros sem medo de ser feliz. Isto é Predadores Assassinos, estreia da semana, que, sem dúvidas, presta competentes homenagens a filmes clássicos do gênero, mas não empolga tanto quanto os mesmos.

No roteiro, Haley (Kaya Scodelario), uma nadadora candidata a uma bolsa universitária, mora em uma cidade prestes a sofrer com a passagem de um furacão de nível 5, mas ignora o toque de evacuar para encontrar seu pai (Dave, interpretado por Barry Pepper), que ainda sofre com o divórcio. Os dois, então, se vêem presos ao porão da casa em que Haley passou sua infância, lidando não só com o furacão, mas com crocodilos trazidos pela cheia do rio.

Narrativamente, o filme conduz bem a trama, apesar do mote fraco e das personagens rasas. É muito difícil sofrer empatia, seja pela protagonista, seja por seu pai, bidimensionais e com uma química duvidosa. O ponto positivo fica pelo crescente ininterrupto de tensão com a situação, já que o furacão só piora, a cada sequência há mais crocodilos em cena, a casa vai se desfazendo e o oxigênio no porão ficando raro, com a subida da água. Mas a suspensão da descrença cai ao ver os crocodilos (de uma computação gráfica com sérias restrições orçamentárias) pegando as pernas, braços e peitos das duas personagens e não conseguirem fazer a elas o que fizeram às patéticas coadjuvantes, colocadas no filme apenas para mostrar do que os crocodilos eram capazes, pois não poderiam fazer o mesmo com Haley e seu pai.

Mas o clima tenso é mantido pelos clichês do gênero, como sustos exagerados, leit motif para a presença dos crocodilos e muitos conflitos com conclusões improváveis, providas por flashbacks motivacionais e muito Deus Ex Machina.

Apesar dos crocodilos com movimentos estranhos e textura pobre, o filme tem uma fotografia competente, uma montagem bastante ágil e, com certeza, o diretor Alexandre Aja faria um trabalho bem melhor se recebesse um melhor roteiro (um Tubarão, por exemplo). Destaques de “pateticidade” para as sequências em que o “pretendente” da moça é comido por um crocodilo (mesmo sendo ele um bombeiro da cidade) e para outra, em que pai e filha resolvem levar o cachorrinho junto com eles para o bote.

Se você gosta de levar sustos e se impressiona com sangue apenas o suficiente para virar o rosto, mesmo tendo topado ver o filme, até recomendamos para que vá ao cinema. Mas, se o seu lance é algo mais cerebral, esquece, vai perder a viagem.