Crítica | Demolidor – Terceira Temporada, mesmo com algumas ressalvas, recupera o posto de melhor série de heróis da atualidade.

A terceira temporada de Daredevil finalmente chegou ao serviço de Streaming, que acaba tomando caminhos cômodos, mas ainda consegue recuperar a essência perdida nas últimas aparições do herói.

Após a primeira temporada de Demolidor ser um sucesso de público e crítica, alcançando os impressionantes 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, abrindo as portas para o universo mais sombrio do Universo cinematográfico da Marvel, fazendo com que outras séries como: Jessica Jones, Luke Cage, Punho de Ferro e a controversa Os Defensores surgissem.

O segundo ano toma caminhos questionáveis e deixa notável a falta de equilíbrio entre os arcos trabalhados ao longo dos episódios, causando um certo incomodo nos espectadores. Felizmente, o terceiro ano retoma as rédeas deste trem que aparentava desgovernado e entrega para os fãs uma das melhores temporadas já feitas dentro do gênero de super-heróis, mas que ainda tem as suas ressalvas.

A história continua imediatamente após os eventos da primeira e única temporada de Os Defensores, aonde após a demolição de Midland Circle, Matt Murdock é considerado morto, mas consegue milagrosamente sobreviver graças a ajuda da irmã Maggie e do Padre Lantom que cuidam dele até que se recupere para voltar as ruas. Enquanto isso, em uma prisão de segurança máxima, Wilson Fisk é mantido preso e propõe um acordo irrecusável para que o FBI o liberte, contanto que sua mulher seja isenta de todos os crimes, mas tem muito mais atrás deste ardil do que aparenta.

 A temporada inteira é trabalhada para entregar, de forma exímia, a mesma experiência que o telespectador teve na primeira temporada, com episódios cada vez mais instigantes e um desenvolvimento orgânico dos personagens (mesmo os já conhecidos) que faz com que uma empatia quase imediata surja por eles, o que acaba contribuindo bastante para a trama. As coreografias de luta são feitas de forma tão competentes que se tornam críveis, vide o clássico plano sequência de luta presente em todas as temporadas do herói, e dá uma aula de como uma cena de batalha corpo a corpo tem que ser feita.

O roteiro muitas vezes toma caminhos parecidos com a primeira temporada, se tornando cômoda e pouco ousada sob vários aspectos, mas graças ao desenvolvimento competente e meticuloso de Erik Oleson (Arrow) e Drew Goddard (The Good Place) criadores e showrunner da série, e a produção de Steven S. DeKnight (Smallville), conseguem maquiar estes defeitos os tornando irrelevantes no panorama geral da obra, mas um olhar mais atento consegue identifica-los sem dificuldade.

Os diálogos sagazes, sombrios e reflexivos são sustentados graças ao facilmente identificado como o melhor elenco das séries da Netflix.  Charlie Cox (King of Thieves) retorna na pele do advogado cego e mostra a que veio, roubando a cena independente de com quem esteja dividindo tela. Vincent D´Onofrio (Nascido para Matar), que interpreta o implacável Rei do Crime, transpassa a imponência necessária para o personagem e causa temor quando aparece, conseguindo se manter no patamar de um dos melhores vilões do Universo Cinematográfico Marvel, mesmo com tantos outros novos que aparecerem recentemente.

Karen Page interpretada por Deborah Ann Woll (True Blood), consegue melhorar o já perfeito, dando identidade a personagem e reforçando ainda mais sua importância dentro da série, se colocando em grau de igualdade perante os dois principais atores da série. Elden Henson (Efeito Borboleta 2) dá um crescendo notável como Foggy Nelson, que parece estar mais à vontade com o personagem e consegue uma desenvoltura melhor do que nas temporadas anteriores.

Temos que falar de Wilson Bethel (Uma Escolha de Coração), o futuro Mercenário, principal rival do Demônio de Hell’s Kitchen, entrega um bom papel de psicopata desequilibrado, mas ainda tem muito o que provar. A irmã Maggie de Joanne Whalley (No Limite das Trevas) é uma personagem do elenco de apoio que tem sua chance de brilhar e não desaponta, porém não ofusca.

A direção e fotografia permanecem as mesmas, a escuridão transpassa de forma competente o ambiente urbano e noturno de Nova York e ainda de outros cenários, e brinca bastante com a iluminação, principalmente com o tom de vermelho, a cor marcante do herói e que dentro da série possui diferentes significados. As edificações possuem um tom mais simplista e econômico, aparentando que toda a série se passa em menos de 5 ambientes, isto pode causar um certo desconforto, mas nada que impacte na qualidade da história.

Apesar dos três primeiros episódios serem bem diferentes das outras temporadas e se mostrarem maçantes, principalmente pelo fato da construção da trama e ambientação dos personagens, após consolidados dá uma guinada sensacional para um final de temporada sensacional. Realmente compensa assistir e recupera de forma sem igual o título de melhor série de heróis já feita.

Demolidor - Terceira Temporada
8.2
Demolidor - Terceira Temporada
Bom
  • Enredo muito bem trabalhado;
  • Cenas de ação impecáveis;
  • Atuações excelentes;
  • Direção extremamente competente;
Mal
  • Roteiro cômodo;
  • Direção de arte começou a decair;
  • Pontos de virada semelhantes aos da primeira temporada;
  • Roteiro
    7
  • Direção
    10
  • Atuações
    10
  • Enredo
    10
  • Direção de arte
    4
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Leitor e critico de quadrinhos desde tempos imemoriais, formado em logística (que nada a ver, não?), estudante de vestibulares e escritor nas horas vagas. Jornalismo loading...
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