PPOW POW POW! RATRATRATRATARATA! GRANADAAA! BOOM! BANG!

Pode parecer uma descrição de um filme de guerra, mas é só mais um dia na vida de Frank Castle. Dessa vez, massacrando vietcongues, mafiosos italianos, agentes da CIA e terroristas da Irlanda do Norte. 

E sim, pode comemorar! Depois de anos pedindo, se ajoelhando, implorando, até que enfim Punisher MaxBorn num encadernado bacanudo! Compilando as 4 edições de Punisher Born e as 12 primeiras de Punisher Max,Justiceiro: No Princípio, é o lançamento mais sanguinário do ano. Sério. Se você apertar e torcer muito, sai sangue, se bobear.

O Justiceiro não vivia bons tempos. Tinha morrido, ressuscitado como um anjo vingador, enfim, tinha virado uma piada de mau gosto. Mas às vezes, tudo o que você precisa é de uma pitadinha de Garth Ennis para deixar tudo mais emocionante. O autor de Preacher, Thor Vikings, Hellblazer, azucrina com tudo (de novo). Tem mafiosos sem rosto graças a um tiro de espingarda, agentes da CIA sem as parte íntimas (tô falando sério!), gângsters sendo escalpelados. Enfim, a nata da violência e do absurdo. Mas que é bom, é!

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A fase de Garth Ennis a frente do vigilante da Marvel redefiniu o personagem, saindo das histórias toscas e muitas vezes bobas para uma violência que ultrapassa qualquer limite e histórias mais críveis, realistas, batendo com problemas do nosso mundinho mesmo. Até a vestimenta do personagem foi mudada, saindo daquele collant (Ui!) militar dos anos 80 para uma camiseta simples com a caveira emblemática estampada e um sobretudo. Não sei você, mas se eu visse um cara assim vestido na rua eu saía correndo.

Em Punisher Born,  o leitor acompanha a jornada de Frank Castle na Guerra do Vietnã, mostrando o caráter do personagem antes de se transformar num matador descontrolado e brutal. Talvez, ele já fosse descontrolando e brutal. Talvez ele já tivesse uns parafusos a menos. Talvez ele já tivesse vontade de fazer justiça com as próprias mãos, antes mesmo de se tornar o Justiceiro. Frank já era um matador e um soldado implacável,  sendo o capitão da base de artilharia Valley Forge, que só não havia sido fechada pela persistência e perseverança de Castle. Seus soldados o temiam. Depois de intensos combates, massacres de vietcongues e do tão aguardando resgaste, o questionamento levantando é se o Justiceiro já existia em Frank Castle muito antes da tragédia que ocorreu com sua família, sendo o ocorrido só uma desculpa para o homem sair por aí matando traficantes e bandidos, ou a guerra realmente molda um homem? Frank já apresentava sinais de que não estava nem aí para leis, regras ou perdão para quem cometia crimes de guerra. O “bichinho” do Justiceiro talvez estivesse lá dentro já, só esperando o momento para sair…

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Seguindo em frente, o tão aguardado Punisher Max! A violência pornográfica, o sangue, os tiroteios, tudo é tão bem-feito e escrito por Ennis que é de se admirar como alguém consegue pensar em algo tão sujo e diabólico. Na trama, temos dois arcos: o primeiro da edição 1-6, e o segundo da 7-12. O primeiro arco começa com uma completa chacina de uma família mafiosa italiana, desde o chefe centenário até os meia-tigela do bando. Com o desenvolver da história, a CIA começa a querer cortar as asinhas de Frank, e o que restou da máfia também quer um pedacinho do vigilante. E claro, é a grande chance do Justiceiro de acabar de vez com os mafiosos e também abalar um pouco as estruturas da CIA. Bazucas, mafiosos sem rosto, partes íntimas destruídas, é um belo resumo do arco. É complicado de se falar de uma história em que o visual é muito importante sem dar spoilers. 

Já no segundo arco, depois de um atentado na Cozinha do Inferno, é hora de Castle partir pra cima do que sobrou das gangues irlandesas em Nova Iorque. Sim, esse é um fato histórico. Até os anos 1970, os irlandeses americanos aterrorizavam a costa oeste de Manhattan. Tá vendo? Quadrinhos são cultura também, amiguinhos! Bem, voltando à história, o Justiceiro tem que entrar no meio de uma disputa de 4 antigos membros do IRA (Exército Republicano Irlandês, grupo terrorista que reinvidicava a separação da Irlanda do Norte do Reino Unido) e herdeiros de uma herança milionária, do antigo grande líder das gangues, que se fragmentaram. Mais uma vez, é a grande chance de Frank, dessa vez, aliado à agência de inteligência britânica, de matar 2 coelhos com uma cajadada só. 

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As duas HQs encadernadas são surpreendentes. Surpreendentes pela violência, pela criatividade diabólica de Garth Ennis, e como o autor consegue articular a violência explícita com histórias boas e coesas. Mesmo com cenas absurdas, e que em alguns momentos, causam até uma certa ojeriza, a trama é muito bem conduzida. É aquela típica HQ que você devora, não lê, de tão boa que é. Os desenhos, ora mais soturnos, ora mais realistas, intercalados pelos desenhistas Darick Robertson, Lewis Larosa e Leandro Fernández, que são a parte mais importante da história, que é muito mais visual do que textual, afinal, o que queremos é a violência gratuita do Justiceiro, também se encaixam perfeitamente na história. Além de tudo, a edição possui excelentes textos explicativos e contextualizadores, tanto sobre a Guerra do Vietnã, quanto sobre as gangues irlandesas. Já estou ansioso de antemão para o próximo encadernado.

O ponto negativo da HQ é que ela acaba…

P.S: As capas do Tim Bradstreet são maravilhosas. Alô Panini, que tal um pôsterzinho na próxima edição?

9.9
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