Desde o início do Universo Marvel com Fanstatic Four nº1 publicada em Novembro de1961, a premissa de heróis mais humanos sempre ficou bem evidente dentro das páginas dos quadrinhos da editora ao longo dos anos. ALIAS  vol.2: Volte pra Casa é o ápice deste conceito com toda a certeza.

Escrita por Brian Michael Bendis (Demolidor: Revelado) com os desenhos de Michael Gaydos (Powerless), David Mack (Demolidor: Fim dos Dias), Mark Bagley (Ultimate Homem-Aranha), Rodney Ramos (Transmetropolitan) e Al Vey (Aquaman: O legado do Aquaman) e a colorização por conta do sensacional Matthew Hollingsworth (Tokyo Ghost) e Dean White (Quem é o Pantera Negra?), este encadernado prossegue com a cronologia de republicação do volume anterior, aonde vemos a heroína que se transformou em detetive particular: Jessica Jones em mais de suas desventuras. Em uma cidade do interior, Jessica vai precisar superar o preconceito, intrigas provincianas e o fanatismo religioso para conseguir solucionar um caso de desaparecimento de uma garota supostamente mutante. Voltando para NY, uma invasora acidental aparece em seu apartamento o que a leva a um confronto direto com J. Jonah Jameson, Mulher-Aranha e Speedball. Neste meio tempo, ela ainda tem que lidar com a sua vida amorosa conturbada, com ninguém menos que nosso querido: Scott Lang, mais conhecido como: Homem-Formiga.

A genialidade do roteiro não se encontra em cenas de luta ou tramas mirabolantes, mas sim nos diálogos entre a personagem central e seus companheiros de narrativa, o que é uma crítica constante de diversos leitores em relação a Bendis, que é justamente a sua forma “arrastada” de contar as suas histórias. 

A humanização dos personagens é algo dificilmente visto nos quadrinhos e completamente inovador, mostrando que mesmo ela tendo poderes, ela ainda está sujeita a sentimentos e não é totalmente blindada, como o resto dos heróis da editora, o que possibilita deixar explícito os pensamentos da personagem perante os acontecimentos, trabalhando seus medos e neuroses com uma fidelidade descomunal. 

A narrativa trabalha com praticamente todo o refugo do Universo Marvel dos quadrinhos da época, se valendo de personagens de última classe para mover a história e ainda encaixar a heroína em outros arcos da editora da época (como é o caso dela ser a guarda-costas de Matt Murdock durante a saga Demolidor: Revelado, chegando a aparecer nas edições do herói).

As histórias são dolorosamente simples, mas o seu desenvolvimento é sem igual e seu desfecho é completamente crível, pois você consegue se colocar no lugar da personagem e acaba se identificando com a sua reação perante os acontecimentos, uma experiência realmente extasiante para qualquer leitor. Sem contar no humor inteligente e sutil, que é altamente funcional e quando você menos espera, você esta sorrindo.

Se o roteiro é genial, a arte não fica por menos. Com desenhos completamente urbanos e trabalhando de forma eximia a parte mais obscura das ruas de Nova York, consegue com igual competência compor cenários mais vivos e claros, sem perder o estilo. As cores, muitas opacas, se fazem uno com os traços causando uma sincronia muito orgânica e contribuindo ainda mais com a personalidade da narrativa.

O encadernado faz parte de uma série de volumes que irá republicar todo o arco de ALIAS pela Marvel Comics, convenientemente em uma fase aonde os fãs estão ficando cada vez mais arredios com a Panini por seus aumentos inexplicáveis de preço. O formato é muito bonito e realmente compensa o valor cobrado (ou não), mas apenas pela história já vale a aquisição, uma leitura imprescindível para qualquer fã de quadrinhos.

10.0
Score

Roteiro
10
Arte
10
Cores
10
Formato do encadernado
8

Final Verdict

Um dos melhores trabalhos de Brian Michael Bendis e uma das minhas obras favoritas do mercado de quadrinhos, só não dou uma nota maior, porque eu não posso. Vale muito a leitura e a aquisição!