Filmes que de alguma forma tocam no tema “Bruxaria” comumente são associados ao cinema de terror, mas um olhar mais atento nos fará notar que estas criaturas permeiam uma variedade de gêneros, desde filmes de aventura até comédias românticas.

Se você já está envolvido no clima de dia das bruxas ou se apenas gosta de histórias que giram em volta desses personagens, a colunista Valerie Ettenhofer, do site Film School Reject, separou uma lista de 21 filmes cujo tema principal é bruxaria. O curioso desta lista é que ela não é toda feita de clássicos do cinema. Alguns filmes se destacam por terem marcado uma época, outros porque as pessoas não deram a devida atenção apesar de serem bons e outros porque são meramente divertidos. Tudo bem que diversão é algo muito subjetivo, mas de qualquer forma vale a pena dar uma olhada na tradução desta lista se você se enquadra em um dos dois tipos de leitores descritos acima:

  • Suspiria – 1977

O Suspiria original é frequentemente celebrado como um dos melhores filmes de horror de todos os tempos por uma razão: O filme de Dario Argento, cativante e influenciado pelo Giallo (um movimento cinematográfico), é um pesadelo encharcado de cores vívidas e filmado com uma bela precisão. Para os não-iniciados, o filme acompanha uma deslumbrada bailarina americana enquanto ela descobre uma série de assassinatos em um estúdio de dança alemão. Exuberante, misterioso e irretocável, não é de se admirar que este filme tenha sido elevado ao status de obra-prima.

  • Convenção das Bruxas (The Witches) – 1990
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Este filme não se conectou muito bem com o público na época de seu lançamento, o que é uma pena, pois esta produção adaptada por Jim Henson de um clássico de Roald Dahl (estrelando ninguém menos que Anjelica Huston) é o tipo de produção excêntrica típica dos anos 90 que faz muita falta nos dias de hoje. Os efeitos práticos deste filme, que é sobre um menino transformado em rato por bruxas odiadoras de crianças, são um pouco datados e estranhos, mas é tudo em nome da diversão. O humor de Dahl ainda cintila pela história e o filme faria uma dobradinha e tanta com qualquer outra produção de Jim Henson, como O Cristal Encantado ou 
Labirinto – A magia do tempo.

  • The Love Witch – 2016
Perfil de filme cult desde o seu lançamento e pelo visto, esta será mesmo a sua reputação

Se existisse um clássico cult instântaneo, este filme seria esta colorida homenagem aos filmes sessentistas da diretora Anna Biller. The Love Witch é uma abordagem feminista sobre gênero e relacionamentos contada através das lentes de uma bruxa californiana e estilosa (Samantha Robinson) chamada Elaine, que não consegue parar de assassinar seus amantes. Foi rotulado como comédia de horror, mas pega leve no horror e pesado na comédia. Robinson é uma revelação como Elaine, uma nova femme-fatale, engenhosa, confiante e com um arco maravilhosamente retratado.

  • Häxan – 1922

Este filme silencioso da Suécia é essencialmente um documentário, apesar da reencenação dramática de suas sequências que capturam o horror e que deram início a alguns hábitos do gênero que existem até hoje. O filme é surpreendentemente progressista, revisitando períodos de históricas caça-às-bruxas dentro do contexto das superstições e do conhecimento médico limitado. A maior força de Häxan é o seu belo design: cenários, figurinos e máscaras detalhadas que fazem criaturas e eventos assustadores ganharem vida de forma memorável e impressionante.

  • O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby) – 1968
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Uma obra-prima da paranoia e do suspense, o clássico de Polanski é essencial tanto hoje quanto na época de seu lançamento. Mia Farrow domina a tela de forma absoluta como uma futura mãe padecente por uma gravidez infernal, que suspeita estar sendo manipulada pelas pessoas a sua volta, incluindo seu marido, seus vizinhos do andar de cima e seu médico. Nesta saga de desamparo forçado da mulher, o abuso psicológico nunca foi tão assustador e quando o final se aproxima – ainda que tenha assistido uma dúzia de vezes antes – te atinge com força e permanece com você.

  • I Am Not a Witch (2018)

A estreia na direção de Rungano Nyoni ainda é exibida no circuito dos festivais em muitos lugares, mas se entrar em cartaz num cinema próximo, não perca. A sátira mistura fato e ficção numa versão imaginária da Zâmbia, onde uma garota é banida para um acampamento de bruxas depois de ser a única testemunha de um acidente no vilarejo. Os poderes da jovem ficam por serem vistos ainda, mas suas experiências no acampamento (onde as mulheres são amarradas por longos cordões brancos para evitar que fujam) são hipnotizantes graças a direção poética de Nyoni e a habilidade de mudar agilmente de tons mais leves para os mais sombrios.

  • Scooby-Doo na Ilha dos Zumbis (Scooby-Doo on Zombie Island)- 1998

Como uma aficcionada por Scooby-Doo, me sinto confiante na minha afirmação de que Ilha dos Zumbis é o melhor filme das franquias de animação. Apesar do título, os culpados nesta aventura ambientada na Louisiana são na verdade (SPOILERRRRR), um trio de bruxas do sul americano que se transformam em gatos. Você leu corretamente: este é o primeiro filme do Scooby-Doo no qual os vilões são de fato criaturas sobrenaturais ao invés de ser um homem velho qualquer. A história inteira tem um tom especialmente sombrio, reinventando algumas partes da mitologia do grupo enquanto constrói o mistério central de maneiras criativas. Além disso, estas três bruxas – dondocas sulistas, praticantes de vudu no período da guerra civil – são icônicas entre os fãs da Cartoon Network.

  • A Bruxa (The Witch) – 2016

Se já houve uma estreia na direção mais imponente e estilisticamente confiante do que o thriller ambientado era puritana de Robert Eggers, eu devo ter perdido. Um conto sobre a ameaça sutil, porém certa, da feminilidade diante da superstição religiosa, A Bruxa é um banquete para os sentidos, apesar do seu ambiente frágil e cada vez mais sem vida. Tomadas perigosamente amplas atraem os olhos dos espectadores para o canto da tela, para então afastá-los enquanto antecipamos a aparição de algum espectro perturbador, tudo isso enquanto uma trilha sonora opressivamente assustadora trabalha o tempo inteiro para acelerar nossa pulsação. Anya Taylor-Joy está excelente como Thomasin, uma adolescente que se torna uma figura suspeita para a sua família exilada, depois de perder seu irmão mais novo de vista para um sequestrador misterioso.

Abracadabra (Hocus Pocus – 1993)

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Um tapa-buraco na Disney channel e no programa 31 Noites de Halloween na antiga ABC Family (agora Freeform), esta comédia de horror teve uma recepção crítica ruim e agora está na lista de filmes que devem ser assistidos para uma determinada geração de espectadores. Ambientado em Salem, o filme cult conta a história de três bruxas (Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy, todas quase irreconhecíveis, usando perucas e com níveis variados de maquiagem de bruxa) que espalham a destruição depois de serem acidentalmente convocadas por um adolescente. Este filme, de fato, tem pouco apelo para aqueles que não cresceram com ele, mas nos últimos 25 anos ganhou popularidade o bastante para garantir conversas sobre uma potencial sequência.

Arraste-me Para o Inferno (Drag me to Hell – 2009)

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As bruxas não ficam mais estereotipadas do que as feiticeiras deste repugnante épico de Sam Raimi. Com origens que parecem ser vagamente ciganas e com o mesmo apelido de um demônio grego, Ganush (mais tarde chamada de Lamia em sua forma demoníaca) é uma mulher pobre transformada em um espírito vingativo, que não vai deixar o funcionário do empréstimo bancário em paz. Marcando o aguardado retorno de Sam Raimi ao horror depois de Homem-Aranha, Arraste-me para o inferno é uma orquestra do gore e da repugnância, composta principalmente de insetos, putrefação, sangue e fluidos. Embora o personagem não se estenda para além do básico, a bruxa em questão é certamente um dos personagens mais formidáveis da lista.

  • Contos da Escuridão – O Filme (Tales From the Darkside: The Movie – 1990)
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A versão para a TV de Contos na Escuridão é o perfeito entretenimento pipoca dos anos 80: exagerado, mal-envelhecido e, sobretudo, original. No espírito de outras antologias da época, como
Creepshow – Arrepio do Medo, a versão de cinema é principalmente uma excelente série de curtas conectados por uma narrativa moldura. Neste caso, o elo entre as histórias é um menino preso depois de ser capturado por uma bruxa canibal disfarçada de dona-de-casa certinha. As histórias por si só são únicas também, com um curta baseado numa das obras de Stephen King. Steve Buscemi e Christian Slater protagonizaram alguns dos episódios.

  • Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 (Harry Potter and the Deathly Hallows Pt. 2 – 2011)

Qualquer um pode te dizer que as bruxas são uma enorme parte das obras onipresentes de J.K. Rowling, mas algumas das adaptações contém mais girl power do que outras. Embora o último filme não seja o melhor da série, inclui momentos inegáveis de feitiçaria sensacional da Professora McGonagall, Sra. Weasley, Hermione e outras senhoritas espertas do mundo mágico.

  • O Serviço de Entregas da Kiki (Kiki’s Delivery Service – 1989)
Kiki

Um Miyasaki doce e que aposta no seguro, O Serviço de Entregas da Kiki  reimagina as bruxas como fofas e amigáveis. A protagonista, Kiki, anda de vassoura e tem um parente na forma de um gato preto, mas é aí que acabam suas semelhanças com o conhecimento tradicional de bruxas. Nesta história, Kiki consegue um trabalho num serviço de delivery aéreo feito para bruxos mensageiros e luta para lidar com as novas responsabilidades. O filme contém lições gentis sobre comprometimento, amizade e cuidados pessoais, tudo isso enquanto apóia o senso de magia e maravilhamento que são marcas registradas de Miyasaki.

  • Da Magia à Sedução (Practical Magic – 1998)

Seria um exagero chamar este drama protagonizado por Sandra Bullock e Nicole Kidman de uma versão mágica de Thelma & Louise? Provavelmente, mas se formos considerar um assassinato acidental de um abusador, uma ligação feminina profunda e naturalística (desta vez entre irmãs) e uma trilha sonora com muita “sofrência”, a comparação não é forçada. O filme, sobre 3 gerações de irmãs mágicas lidando com as repercussões de uma maldição do amor na família (e também abraçando ou rejeitando seus poderes ao longo do caminho), é o tipo de história despreocupada, mas ainda assim emocionalmente envolvente, o que é perfeito para uma noite de filme pipoca com os amigos.  Graças ao climax memorável, é também um dos filmes de bruxa mais maliciosamente feministas e empoderadores até a presente data.

  • A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project – 1999)
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Em retrospecto, este filme é basicamente um amontoado de narizes escorrendo e de pessoas gritando “JOSH!”. Na época de seu lançamento, no entanto, foi inovador de umas seis formas diferentes: Seja por seu orçamento apertado, mas com um grande faturamento, seja pelo formato found footage, seja pela sua campanha de marketing criativamente enganosa. Ainda assim, a mitologia que cerca a Bruxa de Blair é aterrorizante e o filme é repleto de imagens indeléveis e sinistras, como feixes de vara em formato de efígie penduradas nas árvores, pedaços de um corpo embalados em pacotes para presente e, além de tudo isso, uma figura masculina parada de pé num canto. Na época, as bruxas não eram mais assustadoras já fazia um bom tempo, mas A Bruxa de Blair as trouxe de volta.

  • Dezesseis Luas (Beautiful Creatures – 2013)

Esta esperta e excêntrica exploração da auto-determinação se perdeu num mar de adaptações de romance para jovens adultos, mas é um sucesso no home-video. Rob Hunter, crítico do Film School Reject, gosta do filme e o classifica como “elegante e divertido […] frequentemente belo e misterioso”, enquanto outra crítica, Kate Erbaland, escreveu porque o filme merecia uma segunda chance. Estrelando um Alden Ehrenreich pré-Han Solo e com um elenco coadjuvante que inclui Emmy Rossum, Emma Thompson, Viola Davis e Jeremy Irons, este definitivamente vale a redescoberta na Netflix.

  • Jovens Bruxas (The Craft – 1996)
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Jovens Bruxas chegou aos cinemas 10 meses antes de Buffy, a Caça-Vampiros estrear na TV e é uma vergonha que um deles esteja relegado ao status de cult enquanto o outro ganhou aclamação. Assim como Buffy, Jovens Bruxas explora a profundidade do emocional adolescente, os padrões de beleza, status social, racismo e masculinidade tóxica através do olhar de garotas do colegial com poderes sobrenaturais. O elenco do filme tem vários atores queridinhos dos anos 90 e o filme no geral é excelente.  Mas, talvez tenha sido até melhor que ele não tenha sido um sucesso, considerando que o terceiro ato enfraquece a autenticidade da amizade entre o núcleo principal e também a legitimidade dos problemas e desejos das meninas para privilegiar a picuinha entre elas e uma lição pouco clara sobre egoísmo.

  • O Homem de Palha (The Wicker Man – 1979)
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O musical cult escocês favorito de todo mundo (só se você contar os primeiros três-quartos) é provavelmente uma das visões mais amenas do paganismo moderno no cinema. Embora tenha sido considerado como horror, boa parte do enredo de O Homem de Palha é focado em um pacífico grupo de moradores de uma cidade que dançam em volta de mastros e brincam em harmonia com a natureza.  Para o público moderno, o investigador hiper-cristão Neil Howie (Edward Woodward) pode parecer um tanto rabugento, mas seus palpites sobre o lado sombrio da remota ilha escocesa se mostram acertados. O final de O Homem de Palha é um dos mais perturbadores da história do gênero.

  • O Mágico de Oz (The Wizard of Oz – 1939)
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Este clássico amado e inovador trouxe muitas novidades à época do seu lançamento, mas a mais relevante da lista é o seu papel na introdução cinemática da dicotomia bruxa-boa/bruxa-má. Desde então, a história de Glinda, a Bruxa Boa e a Bruxa Má do Oeste infiltrou-se na cultura pop em forma de homenagens, paródias e peças da Broadway, mas também inspirou um olhar mais profundo sobre as mulheres. Certamente essas duas personagens são muito binárias, mas toneladas de filmes posteriores (incluindo muitos desta lista), se agarram aos conflitos centrados na natureza boa e má desses personagens graças, em parte, a recusa de Oz em se manter apenas com a imagem estereotipada das Bruxas.

  • As Bruxas de Eastwick (Witches of Eastwick – 1987)

Cher, Susan Sarandon e Michelle Pfeiffer interpretam um trio de mulheres solteiras, insatisfeitas e entediadas que se transformam em bruxas fodonas. Preciso dizer mais? Okay, direi um pouco mais: Jack Nicholson interpreta alguém que pode, ou não, ser o demônio e George Miller (Mad Max) dirige esta adaptação do romance de John Updike. É sexy, engraçado e assustador tudo de uma vez só. Isso é o bastante? Se isso não te convenceu, não há mais nada que possa ser feito.

  • A Maldição do Demônio (Black Sunday – 1960)

Pioneiro da Giallo, a estreia de Mario Bava na direção não atinge o mesmo patamar dos trabalhos do final de sua carreira, mas estabelece muito dos precedentes elegantes para o seus sucessores do gênero horror. A história deveria ser baseada no livro Viy, de Nikolai Gogol, mas parece mais uma versão feminina do Drácula, cheio de cadáveres suspeitosamente extraviados, acadêmicos perplexos e aparições próximas às camas durante a madrugada. De fato, a bruxa Asa Vajda (uma Barbara Steel maravilhosamente sedutora) é mais vampira do que uma bruxa, embora ela seja chamada apenas de bruxa ao longo do filme graças a uma maldição incômoda que ela lança na linhagem do irmão. De qualquer forma, é um filme bem-feito, uma viagem interessante às fendas e criptas da Europa, que ainda reluz meio século depois.

Outros filmes sobre bruxas: O Pacto (The Covenant – 2006), O Poder Mágico (Teen Witch – 1989),  As Senhoras de Salem (The Lords of Salem – 2013),  As Bruxas de Zugarramurdi (Witching and Bitching – 2013),  Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Lion, The Witch, and The Wardrobe – 1979 e 2005),  A Feiticeira (Bewitched – 2005), The Blackcoat’s Daughter (2017),  Se Minha Cama Voasse (Bedknobs and Broomsticks – 1971) e  Halloweentown (1998).