Saudações! Estamos de volta!

Não há momento melhor para os super-heróis no cinema do que o atual. Qualquer produção da Marvel ou da DC supera os US$600 milhões, em arrecadação de bilheteria, facilmente. Até personagens considerados de segundo escalão como o Homem-Formiga conseguem resultados positivos. Só que a maioria desses filmes tenta seguir uma “fórmula”, como a fórmula de Stan Lee e Jack Kirby para as suas criações nos anos 60, com histórias para toda a família, com piadas, finais felizes, e momentos agradáveis, que cativam o público, nerd ou não. A DC tentou, sem sucesso, copiar essa fórmula no pífio Liga da Justiça. E uma hora ou outra, essa fórmula, boa ou não, irá se esgotar, como os filmes de Velho Oeste se esgotaram nos anos 60. Poucos filmes tomaram a iniciativa de inovar e se contrapor aos filmes divertidos e espirituosos. Logan e Deadpool certamente são os mais notáveis. Ano que vem, teremos o filme do Hellboy e o suposto filme para maiores de 18 anos do Coringa. Venom tentou posar como um filme para um público mais adulto, mas não foi bem assim. E agora, com uma possível ascensão dos filmes que vão contra a “fórmula” feliz e altruísta dos filmes de super-herói, a pergunta é: cadê os filmes da Vertigo?

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Uma das editoras mais queridas e com títulos aclamados não tem um filme sequer no planejamento. Nada. Zero. Sandman, uma das maiores obras dos quadrinhos de todos os tempos, permaneceu anos “em produção”, pela iniciativa de Joseph Gordon-Levitt (O Robin de Cavaleiro das Trevas Ressurge, lembra?). O projeto morreu aos poucos, pela dificuldade de adaptar um quadrinho da complexidade de Sandman para as telonas (o mesmo mimimi de Watchmen antes de ser adaptado). Constantine, o personagem, talvez, mais emblemático da Vertigo, com seu título Hellblazer, teve sua adaptação controversa com Keanu Reeves em 2005.  O Homem-Animal, também uma das publicações mais aclamadas da Vertigo, sequer foi especulado. O único título que irá sair do papel é Monstro do Pântano (que sinceramente, parece ser magnífico), com uma série no novo serviço de streaming da DC. Mas, convenhamos, o ambiente do cinema muda tudo. Os filmes tem um CGI melhor, um orçamento melhor, atores renomados, e diversas outras diferenças significantes das séries. Isso sem contar a magia do cinema, que torna tudo especial. Preacher tem sua série também. Mas, em um momento em que os filmes para maiores de idade baseados em HQs ainda estão engatinhando, seria espetacular a DC tomar a iniciativa e criar seu “Universo Expandido Dark”. E seria totalmente possível.

Nas primeiras edições de Sandman, John Constantine ajuda Morpheus a recuperar sua algibeira perdida após anos de confinação. O próprio Constantine surgiu das revistas do Monstro do Pântano, na fase do mago Alan Moore. O Homem-Animal de Grant Morrison chegou a fazer parte da Liga da Justiça Internacional. Com tantos personagens e histórias fenomenais, que poderiam “conversar” entre si, com aparições recorrentes, ou mesmos filmes que se conectassem, como um Universo Expandido mesmo, a DC está perdendo uma grande chance de inovar completamente na indústria cinematográfica. Sim, eu sei, filmes para maiores de 18 anos têm certas implicações, como um público menor, uma arrecadação menor, e consequentemente, um orçamento menor. Mas isso não é desculpa. Os riscos sempre fizeram parte. A DC arriscou ao escolher Heath Ledger para dar vida ao Coringa em Batman: O Cavaleiro das Trevas. O resultado dispensa comentários. A Marvel, quase falida, arriscou ao produzir o primeiro filme do Homem de Ferro, e ao introduzir a ideia de um Universo Expandido no cinema. Os riscos sempre foram e sempre serão corriqueiros. A possibilidade de um filme da Liga da Justiça Sombria, com o demônio Etrigan, com o Constantine, personagens extremamente carismáticos, e também em filmes solo sombrios, seria algo jamais visto nos cinemas. Um marco, definitivamente. Infelizmente, a DC nunca foi conhecida por inovar muito.. Mas a empresa já está correndo atrás do prejuízo do seu Universo Expandido atrasado e dos filmes com péssimas críticas e arrecadações abaixo do esperado. Um universo sombrio seria a carta na manga, e até possivelmente, um reviravolta na disputa Marvel x DC. A Marvel também tem seus títulos mais sombrios e adultos, como os já falecidos selos Marvel Knights e Marvel Max. Mas o peso da Vertigo é muito maior. O nome e as obras são conceituadas, vencedoras de inúmeros Prêmios Eisner, além de possuir um gigantesco rol de fãs. E a Marvel, no auge dos seus filmes com “fórmula”, dificilmente permitira produções de caráter adulto. A DC, em contraparte, já virou motivo de piada por seus filmes sombrios demais e com um tom mais sério. Não seria surpreendente um filme sanguinário ou de terror. Agora, com tantos recursos e possibilidades, a única que precisa ter colhões para jogar tudo para o alto e arriscar, é a própria DC.

E, cá entre nós, o que não falta é história boa para adaptar. Só do título Hellblazer temos os arcos aclamadíssimo Hábitos Perigosos, Pecados Originais, Morte e Cigarros, dentre tantos outros de sucesso. Do Monstro do Pântano, a fase inteira de Alan Moore é um banquete. Sandman dispensa comentários. E além dessas obras aclamadíssimas, temos Transmetropolitan, ZDM, Leões de Bagdá, Escalpo, Fábulas… são inúmeras opções para as telonas. Os fãs já estão cansados de pedir por esses filmes. DC, a responsabilidade está nas suas mãos!

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