O Brasil já possui o seu representante para tentar buscar um lugar na maior premiação do cinema, o Oscar.

O filme ” O Grande Circo Místico”, do diretor Cacá Diegues, foi o escolhido na semana passada pelo Ministério da Cultura como representante do nosso país na corrida por uma indicação na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

Todo mundo sabe que somos penta campeões mundiais e uma das maiores potências esportivas do planeta, mas no cinema, será mandamos bem também?

Essa é uma pergunta bem complexa de responder e alguns fatores precisam ser analisados para se chegar até uma resposta aceitável.

1 – Investimento

O cinema nacional infelizmente não possui investimentos compatíveis com os padrões de Hollywood, por exemplo. Dessa maneira, ás nossas maiores produções sempre necessitam do auxilio do governo ou de fundos de apoio ao audiovisual para saírem do papel.

O maior problema desse cenário, é que o dinheiro acaba ficando sempre com um nicho bem específico de realizadores e não chega para a grande maioria dos projetos, limitando assim a aprovação e continuidade de grande parte dos roteiros escritos em terras tupiniquins.

2 – Preconceito

“Eu não gosto de filme brasileiro”.

Pois é, assim como eu, você também já deve ter escutado essa frase diversas vezes ao longo da vida.

O fato é que existe uma grande discriminação contra as obras produzidas em nosso território. Isso acontece por uma má interpretação do grande público que se deu início na década de 70 e que perdura até os dias de hoje. Gêneros como a Pornochanchada (estilo que misturava comédia com erotismo há quarenta anos) e o Favela Movie (sub-gênero que visa representar a realidade das periferias) são os grandes responsáveis por essa visão deturbada dos nossos filmes frente aos telespectadores menos atentos.

3 – Monopólio

Conforme citado no primeiro item, existe uma grande concentração de todo o montante investido em um só lugar.

Quantas vezes você já viu um filme de terror nacional ganhar projeção e divulgação maciça? Quantas vezes já presenciou uma sala completamente lotada para acompanhar o novo suspense gravado em Recife? Pois é, atualmente é quase impossível encontrar alguma propaganda de obras brasileiras que não estejam no circuito “comédia/drama”, isso se torna o mais claro sintoma desse monopólio financeiro e principalmente ideológico que domina nosso cenário.

Apesar desses fatores, sempre vamos produzir pontos fora da curva e filmes aclamados mundialmente, como é o caso de “Central do Brasil” ou “Cidade de Deus”. Quem sabe um dia chegaremos aos pés de nossos vizinhos argentinos, que apesar de apenas dois títulos mundiais, conseguem organizar de maneira mais eficaz e equilibrada as suas ações de apoio a qualquer tipo de arte, inclusive o cinema.

Vamos em frente.

Prestigie a cultura nacional.